Principais fatores para um orçamento para tratamento de efluentes?

Para facilitar o entendimento, podemos associar este assunto a uma consulta médica. Ou seja, o médico sempre pergunta o que o paciente está sentindo e em seguida solicita alguns exames para recomendar um tratamento. O raciocínio não é muito diferente disso para tratamento de efluentes.

Primeiramente, dois fatores são cruciais. O primeiro é entender as características qualitativas e quantitativas do efluente e seu contexto de geração. O segundo fator é verificar o que será feito com o efluente após o mesmo ser tratado – se seguirá para descarte ou reutilização. Mesmo em cada um desses objetivos há alguns subfatores envolvidos.

Vamos tratar dos dois fatores cruciais citados acima. Mas, existem outros também importantes para a definição do sistema mais adequado, como por exemplo: nível de automação, custo alvo de implantação (CAPEX) e de operação (OPEX), preferência por determinadas tecnologias e processos, até mesmo referência ou lista mestre de fornecedores, entre outros.

Características qualitativas e quantitativas do efluente e seu contexto de geração

Em relação ao primeiro fator, relacionado às características quantitativas e qualitativas do efluente, três pontos são importantes:

  1. Vazão: é quando perguntamos “quanto é gerado?”. Refere-se à quantidade de efluente gerado num certo período. Em geral, definimos essa quantidade num dia, por exemplo, quantos litros ou quantos metros cúbicos de efluente são gerados por dia. É importante saber a quantidade média, e também a máxima, de efluente gerado diariamente;
  2. Regime de geração: “como é gerado?”, ou seja, é a descrição de como o efluente é gerado ao longo do dia, para conhecer se há picos de geração em determinados horários e se há horários sem geração, por exemplo. Para isso se traça o histograma de geração de efluente ao longo do dia;
  3. Características físicas, químicas e biológicas do efluente: neste ponto é quando pretendemos conhecer “o que é” o efluente, ou seja, saber a descrição do processo em que ele é gerado e fazer a análise físico-química. Por exemplo, se trata de uma indústria de galvanoplastia, ou um frigorífico, ou uma oficina mecânica de lavagem de peças, etc, e a descrição qualitativa do processo de geração. Além disso, conhecer no mínimo alguns parâmetros como DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio), DQO (Demanda Química de Oxigênio), perfil de sólidos (SSV, SSF, SDV, SDF), e outros dependendo do tipo de processo. É importante salientar que o laboratório precisa possuir certificado ISO 17025 e ser independente.